IDENTIDADE


Catinga (do Tupi: caa (mata) + tinga (branca) = mata branca) é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. A caatinga ocupa uma área de cerca de 850.000 km², cerca de 10% do território nacional, englobando de forma contínua parte dos estados do Maralhão,Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas,Sergipe, Bahia e parte do norte de Minas Gerais.


Apresenta vegetação típica de regiões semiáridas com perda de folhagem pela vegetação durante a estação seca. Anteriormente acreditava-se que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes, como a Mata Atlântica ou aFloresta Amazônica.

"vegetação da caatinga é adaptada às condições de aridez (xerófila)."

A caatinga é uma savana - estépica com fisionomia de deserto, que se caracteriza por um clima semi - árido com poucas e irregulares chuvas,
solos muito férteis e uma vegetação aparentemente seca.A vegetação muito reduzida por a falta da água nessa região.

Porém, este patrimônio encontra-se ameaçado. A exploração feita de forma extrativista pela população local, desde a ocupação do semi-árido, tem levado a uma rápida degradação ambiental. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem, e somente 0,28% de sua área encontra-se protegida em unidade de conservação.

Em 2010, no primeiro monitoramento já realizado sobre o bioma, constatou-se que a caatinga perde por ano e de forma pulverizada uma área de sua vegetação nativa equivalente a duas vezes a cidade de São Paulo. A área desmatada equivale aos territórios dos Estados do e do Maralhão e do Rio de Janeiro somados. O desmatamento da caatinga é equivalente ao da Amazônia, bioma cinco vezes maior.

Para reverter este processo, estudos da flora e fauna da caatinga são necessários.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

10% DO PIB PARA EDUCAÇÃO VOTE JÁ!!!ÚLTIMO DIA:06/12/2011

http://www.dezporcentoja.com.br/

UNE e Ubes iniciam movimento "Ocupe Brasília" 

com acampamento na Esplanada.

Objetivo é pressionar por 10% do PIB para a Educação

Agência Brasil | 06/12/2011 10:27

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Estudantes acampam em Brasília para pedir mais investimentos UNE e Ubes iniciam movimento "Ocupe Brasília" com acampamento na Esplanada. Objetivo é pressionar por 10% do PIB para a Educação

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Estudantes acampam em Brasília para pedir mais investimentos UNE e Ubes iniciam movimento "Ocupe Brasília" com acampamento na Esplanada. Objetivo é pressionar por 10% do PIB para a Educação

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Inspirada em movimentos internacionais como o Ocupe Wall Street,
que protestam contra os impactos da crise financeira sofridos pela população,
a União Nacional dos Estudantes (UNE) planeja acampar na Esplanada dos
Ministérios a partir desta terça-feira (6) para pedir o aumento 
dos investimentos em educação. 
O movimento Ocupe Brasília, do qual também participa
a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes),
pretende reunir cerca de 300 estudantes
em um ponto próximo ao Congresso até o fim da semana.
Leia também
O principal objetivo da manifestação é incluir no  
Plano Nacional de Educação (PNE) a meta deinvestimento 
de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) 
para os próximos dez anos. 
O relator da proposta que atualmente 
tramita na Câmara dos 
Deputados definiu esse patamar em 8%,
segundo relatório 
divulgado na segunda-feira (5). 
Atualmente, o País aplica cerca de 5% do
PIB em educação.
“A gente reconhece o esforço do relator 
[deputado Angelo Vanhoni (PT-PR)]
de pautar essa discussão dentro do 
governo mas, para a gente, 8% do PIB são
insuficientes. 
O Brasil ultrapassou a Itália e já é a sétima economia do mundo, 
nos próximos anos vai ser a quinta do mundo. Mas, nos rankings internacionais, como o da Unesco 
[Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura] ficamos em 88° na qualidade da educação. 
Apesar da crise internacional, o Brasil cresce acima da média mundial, entendemos que esse é o momento para combater as desigualdades educacionais historicamente instituídas”, defende o presidente da UNE, Daniel Iliescu.
Além do aumento dos investimentos para a educação, o movimento vai defender a inclusão da meia-entrada para estudantes na Copa do Mundo de 2014 e 50% do Fundo Social do Pré-Sal 
para a educação. Todos esses assuntos estão em debate atualmente no Congresso Nacional.
A UNE programa algumas atividades para a semana, entre elas sessões de cinema com filmes nacionais e um campeonato de futebol no gramado da Esplanada em defesa da meia-entrada para estudantes.
Iliescu diz que a diferença da ocupação proposta pela entidade em relação a
outros movimentos que ocorrem no mundo é que no Brasil a agenda é positiva.
“Nossa inspiração vem de movimentos como o dos estudantes chilenos, dos
manifestantes da Praça Tahir [no Egito] e os Indignados da Espanha.
Com a diferença que aqui nós não vivemos uma situação de 
desemprego ou perda de direitos. Nosso esforço é mobilizar 
os estudantes por uma agenda positiva”, diz.


Foto: Agência Brasil
Estudantes acampam em frente ao Congresso Nacional, em Brasília
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/estudantes-acampam-em-brasilia-para-pedir-mais-investimentos/n1597398176126.html


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Semana decisiva da COP começa cheia de incertezas


Jonathan Pershing, representante dos EUA nas negociações de clima (Afra Balazina/AE)

Os representantes de quase 200 países reunidos em Durban para a 17ª Conferência do Clima da ONU (COP-17) têm até o fim da semana para decidir como combaterão as mudanças climáticas nos próximos anos. Mas ainda há muitas incertezas sobre que acordos podem ser fechados na África do Sul para cortar as emissões de gases de efeito estufa no mundo.
Por alguns momentos, ao longo da semana passada, houve otimismo pelo fato de a China, que é hoje a maior emissora de gases-estufa do planeta, ter demonstrado que concordaria em entrar num futuro acordo com valor jurídico, ou legalmente vinculante. Entretanto, como as ONGs ligadas ao Climate Action Network (CAN) e alguns delegados ponderam, o país coloca inúmeras condições aceitar um tratado desse tipo.
As ONGs avaliam que o sinal da China é um avanço, mas não colocam todas as suas fichas nele. E, de qualquer maneira, os chineses não farão nada se os EUA não entrarem no jogo.

Valor jurídico. Há diplomatas que avaliam que existe a possibilidade de fechar um acordo para cortar as emissões globais de gases de efeito estufa para o pós-2020, desde que ele não seja legalmente vinculante.
Isso porque um acordo como esse, com valor jurídico, precisa ser ratificado pelos países. E todas as nações ficariam novamente nas mãos do Congresso americano, que barrou a entrada dos Estados Unidos no Protocolo de Kyoto anos atrás ao não ratificá-lo. O governo do presidente Bill Clinton trabalhou intensamente para a criação de Kyoto, mas depois os parlamentares americanos recusaram o tratado. O chefe da delegação americana na primeira semana, Jonathan Pershing, sempre diz que os EUA não querem repetir esse erro. Para os EUA assumir compromissos, as “maiores economias”, como chama Pershing, devem também ter metas obrigatórias – isso inclui principalmente a China, mas também o Brasil.
Num acordo vinculante, os países são obrigados a cumprir as metas – no Acordo de Cancún, por exemplo, que não é vinculante, as metas que os países apresentam são voluntárias.
Porém, mesmo quando as metas são obrigatórias, não há grandes punições para quem as descumpre – como o Canadá provavelmente vai fazer com sua meta no Protocolo de Kyoto.

Kyoto. Enquanto isso, os países em desenvolvimento esperam que em Durban se concretize a continuidade do Protocolo de Kyoto – sua primeira fase termina em dezembro de 2012 e é preciso definir agora se haverá um segundo período.
A União Europeia tem dito que só entrará numa nova fase de Kyoto se os demais países se comprometerem a dar início ao processo de um acordo legalmente vinculante. Um grupo de países tenta fazer os europeus mudarem de ideia e aceitarem um acordo sem valor jurídico, para conseguir trazer os EUA para o mesmo barco.
A delegação da Índia ­– país emergente com altas emissões, porém ainda com muitas pessoas vivendo na pobreza – falou no sábado pela primeira com a imprensa. “Estamos muito preocupados pois não houve quase nenhum progresso em atingir um objetivo-chave nas negociações, que é anunciar o segundo período de Kyoto e suas metas”, declarou a Índia. O país ressaltou que não quer que as negociações da COP-17 sirvam para lançar “um novo tratado climático”, mas sim melhorar a implementação de princípios e disposições do protocolo válido atualmente, que é Kyoto.

http://blogs.estadao.com.br/afra-balazina/semana-decisiva-da-cop-comeca-cheia-de-incertezas/

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Código Florestal será votado nesta quarta-feira no Senado

JORNAL DO BRASIL
Em reunião na manhã desta terça-feira com o presidente do Senado, José Sarney, os líderes partidários fecharam acordo para votação do projeto de reforma do Código Florestal em Plenário nesta quarta (30). O requerimento para tramitação da matéria em regime de urgência será lido nesta tarde em Plenário, conforme informou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Jucá esclareceu que o acordo se refere ao procedimento para votação e não ao mérito do texto em exame, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC).
- Ainda existem pontos pendentes, ainda existem destaques, mas há consenso sobre a maioria do texto e esperamos que seja uma votação rápida - opinou.
Depois de votado pelo Plenário, o projeto deverá retornar à Câmara, para que os deputados se pronunciem sobre as mudanças feitas pelos senadores.
Para viabilizar a votação do novo código, Jucá informou que a base governista assumiu o compromisso de negociar até a próxima terça-feira (6) um possível acordo para votar a regulamentação da Emenda 29, que trata dos recursos da saúde, e da Desvinculação de Receitas da União ( DRU ).

VALORAÇÃO DA NATUREZA!!!! ECODEBATE

] Um bem ou um serviço ecossistêmico tem grande importância para o suporte às funções que garantem a sobrevivência das espécies. De uma forma geral, todas as espécies de animais e de vegetais dependem dos serviços ecossistêmicos e dos recursos naturais para sua existência. Essa importância traduz-se em valores associados aos bens ou aos recursos ambientais, que podem ser valores morais, éticos ou econômicos.
Há algum tempo, acreditava-se que os recursos ambientais, dada a sua enorme abundância, nunca iriam se exaurir e, assim, não se via necessidade de valorá-los economicamente. O valor atribuído ao meio ambiente era zero ou infinito, ou seja, eram considerados bens gratuitos e não entravam na contabilidade econômica, apesar de serem usados na produção de bens e de serviços. Hoje em dia esta questão está bem clara e há uma unanimidade de que ecossistemas têm valor porque mantêm a vida na Terra e geram os serviços necessários para satisfazer as necessidades humanas, materiais e não materiais, assim, o valor dos serviços ambientais ecossistêmicos nunca é zero e pode ser muito elevado.
Conhecer o valor dos serviços ecossistêmicos é útil para sua efetiva gestão, o que, em alguns casos, pode incluir incentivos econômicos para sua preservação. A valoração dos serviços ecossistêmicos pode ser considerada como um conjunto de informações úteis necessárias para a gestão do capital natural e a sua organização é necessária para orientar a tomada de decisões envolvendo o uso dos ativos do capital natural.
Exercida em conjunto com instrumentos financeiros e arranjos institucionais podem permitir aos indivíduos capturar o valor dos ativos dos ecossistemas, podendo assim, produzir efeitos favoráveis em termos de gestão sustentável do capital natural.
Há duas correntes de pensamento econômico que trata a questão da valoração dos serviços ecossistêmicos.
A corrente da Economia Ambiental que é considerada a principal resposta da Economia Neoclássica à problemática ambiental, representa uma resposta ao questionamento da sociedade sobre o papel dos ecossistemas na dinâmica econômica e no bem-estar. Considerando a economia como um sistema fechado, no qual se analisam os fluxos monetários, de trabalho e de renda entre as pessoas e as unidades produtivas (empresas), a teoria econômica tradicional falhava ao não identificar que as matérias primas necessárias para serem transformadas em bens de consumo e, consequentemente, para gerar renda, vinham da natureza – e que tais recursos eram ilimitados. Igualmente, não se preocupou com o fato de que a natureza é o depósito final para todos os resíduos gerados pelas atividades produtivas – ou percebeu como ilimitada a capacidade da natureza em absorver tais resíduos. A partir da década de 60, com o aparecimento de grandes problemas ambientais, alguns em escala global, os economistas começaram a perceber que a teoria econômica era falha ao não incorporar os recursos naturais. No entanto, a percepção corrente era de que os problemas ambientais ocorriam porque os recursos naturais não faziam parte do mercado. Eles eram bens comuns, que não apresentavam direitos de propriedade bem definidos e, portanto, não faziam parte das tomadas de decisões dos agentes econômicos, sendo, como consequência, utilizados até a exaustão.
Para estes economistas, portanto, a solução estava em internalizar os recursos naturais no mercado e nas decisões dos agentes econômicos. Para isso, foram desenvolvidos diversos métodos de valoração monetária dos recursos naturais e criadas agências ambientais, pelos governos, para regulamentar o uso dos bens difusos e atribuir responsabilidades aos usuários/poluidores da natureza. Contudo, a internalização dos recursos naturais no mercado não foi e não é suficiente para amenizar os impactos ambientais, porque apesar de inserir os mesmos nas decisões dos agentes econômicos, continua partilhando uma visão da economia como sistema fechado. Ou seja, os recursos monetários continuam sendo a moeda comum de comparação entre os diversos valores, e o crescimento de uma economia se mede pela quantidade de dinheiro que circula no sistema.
A outra corrente de pensamento denominada de Economia Ecológica ampliou este campo de análise ao entender o sistema econômico como um sistema aberto. Isto é, a economia ecológica incorpora a análise econômica tradicional, mas entende que estas relações entre empresas e pessoas não podem ocorrer indefinidamente, uma vez que existem limites impostos pelos ecossistemas que afetam esta relação, como a extração de recursos naturais e a obtenção de energia necessária para a produção destes bens de consumo. Além de existirem limites na capacidade dos ecossistemas de absorverem os resíduos gerados pelo sistema econômico. De acordo com a terceira lei da termodinâmica, a lei da entropia, por mais que os processos de reciclagem ganhem eficiência, existe sempre perda de material e energia ao longo da cadeia de produção.
Nenhuma atenção se dá ao fato de que existem limites para a obtenção dos recursos naturais para serem transformados em bens de consumo, da mesma forma como a natureza apresenta limites para a absorção de resíduos. Para isso, é necessário ver a economia como um sistema aberto. Isso é o que propõe a economia ecológica, que a economia seja vista como um sistema aberto à entrada de materiais (recursos naturais) e energia e à saída de resíduos (resíduos sólidos, líquidos e energia dissipada), e que existem limites para a reprodução de tais recursos e serviços. A Economia Ecológica não ignora a Economia Ambiental, mas a engloba dentro de um sistema mais amplo que é a natureza, em outras palavras, a Economia Ecológica reconhece a interdependência entre os sistemas econômicos e ecológicos.
(1Doutor em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente e Pesquisador A da Embrapa Monitoramento por Satélite.
(2Doutor em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente e Pesquisador A da Embrapa Monitoramento por Satélite.
(3Doutor em Planejamento Ambiental e Pesquisador A Embrapa Meio Ambiente.
EcoDebate, 16/11/2011
[ O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sustentabilidade no semiárido cearense

Documento propõe lei para o semiárido

Publicado em 17 de novembro de 2011 

O Pacto pela Convivência com o Semiárido Cearense aponta ações para a sustentabilidade
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O semiárido nordestino sempre foi visto como uma região onde prevalecia o sofrimento. Mas, o documento quer mostrar que isso mudou e hoje com ações pode ser sustentável
FOTO: DIVULGAÇÃO




Fortaleza Será lançada hoje a publicação "Bases para formulação de uma política estadual de convivência com o semiárido cearense", que tem como objetivo elaborar as bases para definir uma lei específica para o semiárido cearense, considerando as questões políticas ambientais, sociais e culturais da região localizada no Nordeste.

O evento acontece às 15 horas, no Plenário 13 de maio, da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos é que vai realizar a entrega da publicação.

O Pacto pela Convivência com o Semiárido Cearense aponta no documento as diretrizes e identifica instrumentos de ação para a construção de uma política estadual de convivência com o semiárido cearense em seus aspectos fundamentais e em orientações para a integração das diversas políticas setoriais específicas, tendo por base um arcabouço jurídico legal.

Resposta
De acordo com o secretário do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos, Eudoro Santana, o assunto vem sendo trabalhado há quase dois anos com o Pacto e este documento é como uma resposta à sociedade. "O Ceará foi um dos primeiros Estados a ter uma lei de recursos hídricos. Da mesma maneira queremos fazer agora", disse.

"Como o governo, até hoje, não deu nenhuma atenção maior a essa problemática, resolvemos elaborar esse documento e mostrar que o Ceará poderia - vai depender do parlamento e Estado - criar políticas para o semiárido", afirmou Santana.

Ele salienta que, as políticas elaboradas para esta região não podem ser da mesma maneira que as utilizadas no Sul do País.

Sugestões
Serão sugeridos caminhos para a formulação de instrumentos legais, a partir da criação e operacionalização de comissões especiais do Parlamento Cearense para, em prazos determinados, consolidar a Política Estadual de Convivência com o Semiárido Cearense.

As questões fundamentais são elaboradas a partir dos cinco eixos: Economia; Meio Ambiente; Comunicação, Cultura e Educação; Serviços Básicos e Difusão de Conhecimentos Científicos e Tecnológicos no Semiárido Cearense.

"Pode-se estabelecer algumas medidas, de acordo com as áreas, como: não continuar queimando o roçado, estabelecer limites, punições. Mostrar visões e projetos altamente positivos, por exemplo, criação de caprinos, produção de mel de abelha, que podem contribuir para dar sustentabilidade e deixar de lado a cultura de sofrimento", disse Eudoro Santana.

MAIS INFORMAÇÕES

Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos
Assembleia Legislativa do Ceará
Telefone: (85) 3277.3743

domingo, 13 de novembro de 2011

BARCELONA É EXEMPLO DE COLETA DE LIXO

crescimento da população aumento de consumo,tubulações e engenharia  a 5m no subsolo.
http://www.respostassustentaveis.com.br/blog/barcelona-e-exemplo-de-coleta-de-lixo-responsavel-e-eficiente/

Os prejuízos irreversíveis da mudança climática

floresta amazônica e outras regiões tropicais poderão sofrer alterações abruptas por causa dasmudanças climáticas, passando de florestas densas a savanas, e de savanas a estados com totalausência de árvores, segundo estudo realizado por cientistas da Universidade de Wageningen, Holanda, e publicado no periódico Science. 

A equipe da cientista brasileira Marina Hirota mostra a fragilidade de florestas tropicais e savanas em função da quantidade de cobertura arbórea e de chuvas em três continentes: África, Austrália e América do Sul. Dentre as áreas mais sensíveis está a região amazônica. Os autores utilizaram os resultados dessas relações para prever onde florestas e savanas são mais vulneráveis a mudanças nos regimes de chuva

De acordo com a pesquisa, o sul da Amazônia, conhecido como "arco do desmatamento", por causa da pressão que a ocupação humana exerce na região, poderá deixar de ser floresta para se transformar permanentemente em savana. A região é afetada pela constante remoção ilegal de árvores. A transformação, sugere o estudo, é potencializada por causa das mudanças climáticas. 

De acordo com a pesquisa, a vegetação mundial se alterna entre três tipos: florestas, savanas e estados com ausência de árvores, com picos de aproximadamente 80%, 20%, e menos de 5% de cobertura arbórea, respectivamente. "Nossa teoria afirma que as florestas podem se transformar diretamente em uma savana, o que chamamos de tipping points, ou pontos de inflexão do sistema. Quando isso acontece, geralmente não há mais volta", diz Marten Scheffer, um dos autores da pesquisa. "Ficamos surpresos com a maneira como os dados apoiaram essa teoria dos estados alternativos." 

IRREVERSÍVELO estudo também mostra os lugares do planeta onde há potencialmente os maiores riscos de colapso e as maiores oportunidades de recuperação da floresta. "Conforme um sistema se aproxima de um 'tipping point', ele se torna altamente vulnerável", diz Scheffer. "Perturbações relativamente pequenas, tais como um ano ligeiramente mais seco ou um desmatamento de pequena escala, podem disparar um transição crítica para outro estado de equilíbrio". 

Mas existe uma possibilidade de reverter o processo. Os resultados revelam que locais sem nenhuma cobertura arbórea poderiam se tornar savanas, por exemplo, por meio de técnicas de manejo. "A cobertura arbórea é um dos aspectos que mais definem a paisagem dos ecossistemas", diz Milena Holmgren, uma das autoras do estudo e especialista em ecologia vegetal. "No entanto, é surpreendente quão pouco entendemos as condições que determinam a existência de florestas, savanas ou desertos". 

A especialista explica que o volume das chuvas é um dos poucos fatores conhecidos. "Desertos são encontrados em lugares mais secos e as florestas em lugares mais úmidos. Entretanto, o que ocorre em condições intermediárias vem sendo debatido por muito tempo". 

AMAZÔNIAUm dos maiores desafios dos cientistas que estudam a região amazônica é compreender os potenciais impactos das mudanças climáticas na floresta. "Nosso estudo mostra que a floresta é mais vulnerável climaticamente em áreas em que a interferência humana negativa é muito alta", explica a pesquisadora Marina Hirota. 

Ela se uniu à equipe de Wageningen após finalizar seus estudos no Brasil sobre a fragilidade da Amazônia associada às mudanças climáticas. "Esse tipo de informação pode ser utilizada em tomada de decisões, a partir da avaliação dos riscos e das oportunidades ligadas aos ecossistemas tropicais que ainda cobrem grandes porções do nosso planeta".

O QUE A BANANA TEM????

Milena Boniolo despolui água com casca de banana

As toneladas de casca de banana jogadas no lixo pelos brasileiros, ajudando na superlotação dos aterros, podem ter um destino muito mais nobre: a despoluição da água contaminada pelas indústrias por metais pesados. Foi o que descobriu, em sua tese de mestrado, a química paulista Milena Boniolo, que agora procura pequenas empresas dispostas a aplicar a técnica.

“Não podemos continuar crescendo, o planeta é finito”, diz Eduardo Athayde ,Akatu.


“Não podemos mais continuar crescendo em um planeta que é finito sem a readaptação dos diferentes setores, sem um novo modelo de produção e consumo que seja sustentável”, defendeu Eduardo Athayde, presidente do Worldwatch Institute no Brasil(WWI Brasil). Ele participou do debate sobre segurança alimentar e as inovações para a sustentabilidade no campo, tema do relatório “Estado do Mundo 2011 – Inovações que Nutrem o Planeta”.
O debate foi realizado na quarta-feira (19/10), em São Paulo, durante o lançamento da versão em português do documento.
“Somos 7 bilhões de pessoas. Um em cada sete de nós acorda pela manhã e não sabe o que comer. Sequer, se vai comer”, alerta. “Enquanto isso, especialistas discutem como produzir mais e não como consumir o que já é produzido de forma sustentável e igualitária.” Dados do relatório indicam, por exemplo, que entre 25% e 50% da colheita dos países mais pobres estraga ou é contaminada por pragas ou fungos antes de chegar à mesa.
Vale lembrar que 1804 a população humana atingiu o primeiro bilhão. Passados apenas 130 anos, isto é, em 1930, o número já era de 2 bilhões. O crescimento populacional continuou muito acelerado, tanto é que hoje somos quase 7 bilhões e caminhamos a passos largos para chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050. “Diante dessa realidade, como garantir segurança alimentar considerando ainda os 78 milhões de novos consumidores acrescidos anualmente à população humana”, questiona Athayde.
O presidente cita algumas ações protagonizadas no continente africano para o combate à fome. As inovações estão descritas no relatório Estado do Mundo:
- Na Gâmbia, 6.000 mulheres se organizaram em associação de produtoras, criando um planejamento de co-gestão sustentável para a exploração local de ostras;
- Em Kibera – uma das maiores favelas africanas que fica em Nairobi, capital do Quênia – mais de 1.000 agricultoras estão cultivando hortas “verticais” em sacos de terra perfurados, alimentando suas famílias.
Ainda segundo o estudo, “dando às mulheres o mesmo acesso que os homens aos recursos agrícolas, poderia aumentar a produção nos países em desenvolvimento em 20% a 30%” e isso poderia reduzir em até 150 milhões o número de pessoas com fome no mundo.
Para Athayde, o mundo precisa crescer readaptando os diversos setores de produção. “Isso significa decrescer os níveis de produção e consumo, gerando o crescimento de lucros por meio da inteligência, da eficácia da ciência e da capacitação para a sustentabilidade”.
O documento alerta também que “o preço mundial dos alimentos sofre forte pressão de aumento, impulsionado pela crescente demanda por carne na Ásia, trigo na África e biocombustíveis na Europa e América do Norte, entre outros fatores”.

VEJA O DOCUMENTO COMPLETO: http://www.akatu.org.br/Content/Akatu/Arquivos/file/Publicacoes/EstadodoMundo2011_portugues.pdf

sábado, 12 de novembro de 2011

Cartilha mudança do código florestal

Acesse e junte-se a nós
http://www.florestafazadiferenca.com.br/florestacake/uploads/posts/Cartilha_web_E.pdf

Mudança do código Florestal

3. O que o Projeto de Lei muda sobre as APPs?
Para começar, muda a definição do que são Áreas de
Preservação Permanente.
Passa a considerar que os mangues e as veredas, alguns
tipos de encostas e de topos de morros não são mais APPs.
Pode desmatar à vontade.
Também diminui a largura das matas ciliares, aquelas matas
que protegem as nascentes, rios, lagos, lagoas, mangues.
O Projeto de Lei também deixa barato o desmatamento de
APPs e Reserva Legal que foi feito até 2008 e não exige que
os proprietários recuperem essas áreas devastadas.
Dá uma anistia geral aos criminosos ambientais e não
valoriza quem respeitou a lei.
Um péssimo exemplo de responsabilidade e de civilidade, que
vem aumentando o desmatamento desde já.
O Projeto de Lei também cria uma lista interminável e flexível
de situações, que poderão justificar novos desmatamentos
nas APPs.
Essas exceções são tantas e tão vagas, que o Projeto de Lei
na prática acaba com grande parte das áreas que antes eram
protegidas pelo Código Florestal.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Meio Ambiente

dia meio ambiente Dia Mundial do Meio Ambiente   Semana Ambiental
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972, marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.
Desde então no dia 05 de Junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, que chama a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental.
Alguns dos principais esforços em relação ao Dia do Meio Ambiente são:
  • Mostrar o lado humano das questões ambientais;
  • Capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável;
  • Promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais;
  • Advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero.
Este Ano o tema do Dia Mundial é: “Seu planeta precisa de você: Unidos contra as mudanças climáticas”. Ele mostra que nações atuem de maneira harmônica para fazer frente às mudanças climáticas, para manejar adequadamente suas florestas e outros recursos naturais e para erradicar a pobreza.
Este ano o México será a sede mundial das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, o que reflete o engajamento dos países da América Latina e Caribe na luta contra as mudanças climáticas e na transição para uma sociedade de baixo carbono.

terça-feira, 24 de maio de 2011

PNUMA lança desafio para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente



Comemorado anualmente no dia 5 de junho desde 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente, também conhecido como WED (World Environment Day), é o principal veículo pelo qual as Nações Unidas estimulam a conscientização ambiental no mundo todo.
O WED 2011, em apoio ao Ano Internacional das Florestas da ONU, almeja ser a maior celebração global de todos os tempos para ação positiva pelo meio ambiente.
O tema deste ano – Florestas: A Natureza a seu serviço – destaca a variedade de serviços de suporte à vida fornecidos pelas florestas e convida o mundo a tomar uma atitude para proteger esses recursos e percorrer um caminho rumo a uma economia verde.
Em 2011, a sede das celebrações globais do WED será a Índia, um país cujas florestas constituem mais de 20% da área geográfica terrestre. Visite o site do WED e conheça as medidas que a Índia está tomando para combater a degradação da terra e conservar os ecossistemas florestais críticos.
Toda e qualquer atividade importa: você pode organizar um mutirão de limpeza no seu bairro; anunciar uma iniciativa ambiental na sua cidade, estado ou país; adotar metas ecológicas na sua empresa; usar sacolas reutilizáveis e motivar seus colegas de escola e professores a fazerem o mesmo; plantar uma árvore ou, se possível, organizar um esforço coletivo de plantio com a sua família; caminhar até o trabalho; reciclar e incentivar os amigos a reciclarem também… as possibilidades são infinitas!
Quando a sua atividade for definida, não se esqueça de registrá-la no site do WED em nome de um dos Embaixadores da Boa Vontade do PNUMA, Gisele Bündchen ou Don Cheadle. O Embaixador que receber mais cadastros vai plantar uma floresta! Clique aqui para saber mais sobre o desafio do WED.
O Instituto IDEIAS já contribuiu com sua ação e conta com todos os seus apoiadores e parceiros no desafio lançado! E que vença o melhor!!
Fonte: PNUMA

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DIA INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE.

22 de maio - Dia internacional da Biodiversidade - Reflexão sobre a Caatinga

Oportunidade de pensar como está a nossa Caatinga, Bioma exclusivamente brasileiro e pouco lembrado pelas políticas públicas socioambientais no Brasil.Pensar nas várias formas de vida e  respeitar cada espécie  eo seu habitat. 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

28 DE ABRIL DIA NACIONAL DA CAATINGA

Caatinga
Instituído através de decreto presidencial, de 20 de agosto de 2003, o 28 de abril foi escolhido em homenagem ao primeiro ecólogo do Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, o professor João Vasconcelos Sobrinho. Durante muito tempo pensou-se que a caatinga fosse um ecossistema pobre, por isso a escassez de estudos sobre ela.
O patrimônio biológico da caatinga não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo além do Nordeste do Brasil. Inclui áreas do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o Norte de Minas Gerais. São espécies nativas da caatinga ''barriguda'' (Cavanillesia arborea), amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro. A fauna nativa inclui o sapo-cururu, asa-branca, cotia, preá, veado-catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato.
No entanto, o estudo minucioso da caatinga não trouxe boas notícias. Os pesquisadores constataram que esse é o terceiro ecossistema brasileiro mais degradado, atrás apenas da Mata Atlântica e do cerrado. 50% de sua área foram alterados pela ação humana, sendo que 18% de forma considerada grave por especialistas. A desertificação, encontrada principalmente em áreas onde antes se desenvolvia o plantio de algodão, apresenta-se bastante avançada.
Além do desmatamento, um sério problema enfrentado por esse domínio é a caça aos animais, única fonte de proteínas dos sertanejos que residem na área. A percentagem das áreas de caatinga protegidas por reservas e parques é ínfima: 0,002%, segundo o Ministério do Meio Ambiente. "Precisamos mudar esse patamar de proteção para não perdermos espécies que ocorrem apenas na caatinga", declarou a diretora de Áreas Protegidas do Ministério, Inah Simonetti.
O Ministério do Meio Ambiente já declarou seu interesse em transformar a caatinga em patrimônio nacional e assumir para si a responsabilidade da proteção. Que o gesto não sirva apenas como um reconhecimento tardio pelo governo do único bioma exclusivamente brasileiro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

COMBATE À EXCLUSÃO, PROMOÇÃO DA LIBERDADE, DESENVOLVIMENTO E PAZ

Aqui conheceremos as idéias de dois economistas que escolheram entender as relações humanas e descobrir formas de contribuir para a erradicação da miséria, da fome e da exploração dos seres humanos. Ambos ganharam o Prêmio Nobel por seu trabalho. Um ganhou o prêmio de Economia, o outro o prêmio da Paz. Os dois ajudaram a transformar o modo de pensar de muitos e conseguiram por em prática suas idéias, criando uma nova visão para a ciência econômica e para a forma de fazer políticas públicas. Os dois contribuem para o desenvolvimento, para a ampliação da liberdade e dos direitos humanos e para a Paz.

Quando o professor de economia de Havard, Amartya Sem, ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 1998, potencializou a corrida para combater a pobreza e a miséria no mundo. Em 30 anos, foi a primeira vez que o prêmio de economia escolheu um trabalho voltado para a questão do bem-estar social.

As pesquisas de Sen têm como foco buscar evidências que tragam um novo entendimento do mundo sobre fome e miséria. Ele foge do pensamento econômico tradicional, que diz que a falta de comida é a questão fundamental da fome. Para Sen essa é uma visão simplificada e limitadora. Em seus estudos sobre os países pobres da Ásia e da África, ele percebeu que a falta de alimentos durante as crises de fome não era maior que em outras épocas. O mais surpreendente foi constatar que havia alimentos! O problema era que eles não estavam acessíveis a todos, pois as pessoas que passavam fome não tinham dinheiro para comprar comida.

Assim, para Sen, a fome deve ser combatida com políticas econômicas que possam traduzir essa realidade e forneçam as condições para que as populações carentes tenham de fato acesso aos benefícios do crescimento. Que tenham acesso a uma melhor renda, que tenham poder de compra e condições reais de desenvolvimento humano.
Os líderes mundiais e as principais instituições internacionais começaram a perceber, a partir da notabilidade de Sen, que não seria possível o alcance do desenvolvimento sem que fossem construídos mecanismos eficazes e eficientes para o combate à fome, à pobreza e à exclusão. Ou seja, o bem-estar do ser humano deve ser prioridade, assim como a busca de soluções para acabar com a “globalização da pobreza”.

O que Sen defende é simples: as pessoas precisam retomar sua condição de agentes. Isso significa resgatar o direito à liberdade essencial, criar a possibilidade de ter acesso às condições de vida digna para todos, o que é um direito humano inalienável. Ele escreve:

O desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação de liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos. (SEN, 2000:18)

A partir dessa nova orientação sobre o desenvolvimento, várias medidas efetivas foram postas em prática em todo o mundo, nas diferentes instâncias de poder. As Organizações das Nações Unidas – ONU, como órgão balizador das relações internacionais, tomou a frente desse processo e modificou a metodologia de cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, baseando-se nas recomendações de Amartya Sen. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD determinou que os anos de 2001 a 2010 seriam a Década de combate à pobreza e à fome. As suas pesquisas levaram à criação de novos índices para medir a pobreza, mais amplo e mais condizente com os aspectos primordiais dos direitos humanos. Diversos encontros foram promovidos pelo Banco Mundial em todo mundo, e seu Relatório Anual de 2000 dedicou-se totalmente ao “ataque à pobreza”.

Essas idéias de Amartya Sen contrariam a chamada economia ortodoxa, que vem dominando o processo de definição das políticas econômicas no mundo. Essa corrente privilegia o mercado, a competição, a exploração e a concentração de renda. Com a crise financeira mundial que explodiu em outubro de 2008 parece claro o definitivo fracasso dessa linha limitada de pensamento. As idéias de pensadores como Sen são mais uma vez evidenciadas, e mostram as alternativas a esse modelo, reforçando o pensamento econômico que se volta prioritariamente para o ser humano, e não apenas para as formas de obter mais lucro.

E no bojo das discussões e ações implementadas nessa nova perspectiva, alguns novos instrumentos de política econômica começaram a ser utilizados para a atenuação da pobreza. Dentre eles, o microcrédito, mecanismo de financiamento do empreendedorismo para os excluídos, foi um dos mais divulgados e implantados por todo o mundo em desenvolvimento.

E o criador do microcrédito, o economista Muhammad Yunus, de Bagladesh, foi o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006. Os organizadores do prêmio enfatizam assim uma premissa fundamental: não é possível haver paz sem que haja desenvolvimento, e não há desenvolvimento se persistir a pobreza, a fome e a exclusão.

A “história” do professor de economia da Universidade de Chitagong, em Bagladesh, Muhammad Yunus, é bem conhecida por quem trabalha com microcrédito. Vendo diariamente a miséria nas ruas de sua cidade, o prof. Yunus resolveu emprestar seu próprio dinheiro àquelas pessoas que não teriam nunca acesso ao sistema normal de crédito, e viviam, via de regra, na dependência de agiotas, que lhes tiravam quase tudo que conseguiam ganhar. Sua experiência começou com mulheres, que logo demonstraram que a idéia daria certo. Compraram mercadorias, revenderam-nas e pagaram o empréstimo, conseguindo assim dar o passo inicial para uma melhoria real de vida.

Como o sucesso obtido inicialmente, Yunus se entusiasmou, levando a idéia adiante para, em 1977, fundar o Grameen Bank. Yunus convenceu o Banco Central de Bagladesh a criar um banco que emprestaria dinheiro aos pobres, com condições especiais que lhes permitisse o acesso ao crédito.

Hoje o Grameen Bank possui um grande ativo, milhares de agências, milhões de acionistas, e atua em quatro continentes e dezenas de países, com o apoio da ONU e do Banco Mundial. O banco é a referência mundial na área de microcrédito, tendo se tornado uma enorme potência que não só ajuda no combate à pobreza, mas também dá lucro, pois a taxa de inadimplência é baixíssima, compensando as taxas de juros diferenciadas.

Os créditos são garantidos por um seguro, mas a razão apontada para a baixa inadimplência é o sistema criado para a concessão do crédito. Trata-se de um crédito solidário, ou seja, os tomadores de empréstimo, geralmente pessoas muito pobres que pegam valores entre US$ 50 e US$ 500, só podem efetuar o negócio com o aval de um grupo de tomadores, sendo os financiamentos concedidos a grupos solidários de 5 (cinco) pessoas, que se tornam automaticamente acionistas do banco. Esse grupo, que faz parte de um grupo maior garante o empréstimo como um todo. Assim, se um dentro do grupo não pagar, os demais são responsáveis pelo pagamento, e assim por diante.

Esse sistema tem dado tão certo que tem atraído atenção no mundo todo e até bancos comerciais de peso internacional começam a se interessar pela idéia. O fato é que o fruto do trabalho começado em Bagladesh é hoje o espelho para as ações mundiais de combate a pobreza e promoção do desenvolvimento. No Brasil não vem sendo diferente e várias experiências têm sido bem sucedidas por todo país.

O pioneirismo no Brasil se deu sob a orientação da rede de Centros de Apoio aos Pequenos Empreendedores – CEAPEs, que tinha como missão a melhoria da qualidade de vida pelo acesso ao crédito orientado, como estratégia de combate à pobreza sem assistencialismo, atuando com o microcrédito em quase todo o país. O CEAPE nasceu de um programa piloto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) com a Acción International realizada pelo Rio Grande do Sul em 1986, através do Projeto de Apoio às Atividades Econômicas Informais de Mulheres e Famílias de Baixa Renda.

Outro órgão importante foi o Banco da Mulher, vinculado ao Women’s World Banking, e com apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da GTZ (Agência Alemã de Cooperação Técnica), que tem sede no Rio de Janeiro e tem como finalidade fazer crescer e apoiar a participação da mulher no mercado de trabalho. Percebe-se a grande importância de instituições internacionais nas primeiras iniciativas no Brasil. Hoje também se pode constatar a atuação dos órgãos governamentais, como BNDES, que conta com uma linha de crédito voltada especialmente para o microcrédito, e Banco do Nordeste, com o Crediamigo, além dos Governos Estaduais.

Mas o próprio Yunnus alerta sempre para o risco de transformar uma experiência vitoriosa em mais uma panacéia mundial. É importante destacar que o microcrédito é um instrumento de combate à pobreza e exclusão social que valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho, dando acima de tudo dignidade às pessoas e aumentando sua auto-estima.

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